terça-feira, 5 de maio de 2020



Uma flor rasgou a rua desafiando o pesticida do ódio
por Alison Wesley


No dia catorze de março de 2018, com quatro tiros, tentaram silenciar uma voz. O porquê de matarem Marielle todos nós sambemos e se não sabe ou não lembra, vale a pena procurar entender.


1. Ela denunciava o abuso de poder praticado pela polícia do Rio de Janeiro que era suspeita de vários assassinatos em comunidades pobres do Rio de Janeiro;

2. Ela não tinha medo dos milicianos*;

3. “Eles” se sentiram incomodados (e ainda sente) com a ascensão política de Marielle

Um pouco antes de completar um ano da execução POLÍTICA de Marielle, as investigações sobre seu homicídio levaram até dois suspeitos envolvidos com a milícia que moravam no mesmo condomínio residencial do maldito “clã”.

Em seu último discurso na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Marielle teve sua fala interrompida por alguém que gritou: “Viva Ustra!!!”. O coronel Carlos Alberto Ustra foi um verdadeiro monstro, pois, em resumo, foi o responsável por dezenas de torturas, desaparecimentos e mortes de incontáveis pessoas que contestaram a ditadura militar, regime que perdurou em nosso país por mais de duas décadas. Rapidamente, ela gritou em resposta: NÃO SEREI INTERROMPIDA POR ALGUÉM QUE NÃO RESPEITA UMA MULHER ELEITA. Dias depois, voltando de uma mesa de debate, ela e o motorista de aplicativo que a levava para casa, Anderson Gomes, foram covardemente assassinados. Sua morte expõe o retrocesso que se instalou no país desde o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, ato que intensificou a ascensão do fascismo no Brasil.

Na campanha política de 2018 um candidato de extrema-direita quebrou uma placa de rua que fazia parte de uma intervenção urbana e, repito, isso mostra como estamos afundando. Semanas seguintes, dezenas de centenas de pessoas foram às ruas com réplicas da mesma placa que foi quebrada, ato que reafirma a mensagem: “Não seremos interrompidxs.”

Hoje, passados dois anos, ainda não há provas definitivas que esclareçam quem é o ou os mandantes do assassinato de Marielle, mas, temos a certeza de que não conseguiram e nem vão consegui silenciá-la. Desde de 14 de março de 2018, milhares de Marielle’s nasceram mundo à fora. Ela se tornou semente e sua vida inspira a luta de várias pessoas, como eu. Marielle me apresentou a realidade em que vivemos. Até porque, somos todos Marielle.

Normalmente, termino meus artigos com ‘paz e bem’. Hoje mudarei minha mensagem para a seguinte indagação:

Quem mandou matar Marielle Franco?

Mari eu
Mari tu
Marielle
Vamos à luta 

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